Breve crítica do documentário “O Dilema das Redes” da Netflix

Ontem assisti o documentário “O Dilema das Redes” na Netflix e posso dizer que serve de alerta para aquilo que já sabemos: quem está por trás das redes sociais: engenheiros de software, CEOs e entre outros responsáveis, criaram uma sofisticada engenharia social e tecnológica para que cada vez mais os indivíduos fiquem dependentes do softwares criados por eles. Google, Facebook, Instagram, Twitter e as demais redes sociais são verdadeiras armadilhas psicológicas de dependência, com algoritmos trilhões de vezes mais eficientes do que as tecnologias do passado prontos para tornar nossos cérebros adictos.

O documentário já começa jogando todas as cartadas de autoridade na mesa, com ex-funcionários dissidentes dessas empresas questionando a ética por trás de toda essa ‘máquina’ de produzir viciados. E funcionários peso pesado, que ocuparam o topo dos cargos, como por exemplo um que gerenciava a melhor forma de monetização do Facebook até um dos criadores do botão Like. Eles mostram como a I.A chega a manipular a forma como vivemos o mundo fora dos eletrônicos. Para mim esses relatos e análises são a melhor parte do documentário porque vai direto ao ponto no que realmente importa: denunciar a realidade que estamos envolvidos.

A outra parte é o aspecto dramático do documentário, a encenação de uma família típica dos EUA que está consumida pelos uso de celulares. E eu achei dramático até demais. Nada que seja de maneira impossível inverossímil, mas sem dúvida as consequências do uso e vício de celulares (que não irei contar aqui para evitar spoilers) é exagerado naquele contexto. Na realidade os desdobramentos podem até acontecer em famílias mais desestruturadas. Contudo, nunca podemos deixar de conjecturar que qualquer um está vulnerável aos males da tecnologia.

A produção não deixa de trazer dados e informações importantes. Desde que surgiram os aplicativos de celulares, casos de crianças e jovens que se cortaram ou tiveram outros motivos de internação aumentaram exponencialmente. Mais alarmante são os casos de suicídio que tiveram seus números até triplicados. As redes sociais deixam uma impressão de que a vida dos outros é tão perfeita, e a nossa cheia de problemas, que a saúde mental das últimas gerações está se deteriorando severamente.

Outro ponto crucial é como as redes sociais são uma encubadora e formigueiro de ideias extremistas e de fake news. Usando de exemplos como a teoria conspiratória do Pizzagate até o genocídio de muçulmanos no Myanmar orquestrado no Facebook, mostra as falhas de como as grandes empresas de tecnologias lidam com esses problemas, e até incentivam. E claro, como isso pode influenciar as eleições nos EUA de 2020.

Por fim, não é incorreto dizer que “O Dilema das Redes” é indispensável para aqueles que estão desconectados dos malefícios das redes…. Ou melhor dizendo, conectados até demais no mundo virtual. Até para aqueles que já sabem por alto, escutar o que as pessoas do Vale do Silício tem a dizer sobre esse tema preocupante vale a pena. Os pontos negativos são que por justamente não ser uma grande novidade para algumas pessoas, assistir o documentário pode ser redundante, e que a parte encenada talvez seja exagerada para alguns ao meu ver. Fora esses pontos que não necessariamente estragam a produção dependendo de cada caso, “O Dilema das Redes” é uma boa pedida.

4 respostas para “Breve crítica do documentário “O Dilema das Redes” da Netflix”

  1. Adorei o texto, me deixou com vontade de assistir o documentário. Realmente,as redes sociais podem trazer muitos malefícios a nossa saúde mental. Precisamos saber usar a internet,e não ser usado por ela.
    Obrigada por compartilhar suas ideias.

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    1. De nada Janielly! Eu mesmo estou tentando me desintoxicar das redes sociais, mas como passo muito tempo no computador é fácil ser seduzido por elas. Mas não é impossível e sigo na luta. Abs!

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  2. Tema importantíssimo e assustador. Assisti o documentário após ler seu texto. Muito bons, o documentário e sua percepção dele. Jogou uma luz sobre o fato de que a falta de consciência e ética básica nos fundamentos de nosso mundo moderno está profundamente conectada com os acontecimentos recentes em vários países, inclusive no nosso.

    Curtido por 1 pessoa

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