Oblívio eterno

Para quem leu o título do post e não sabe o significado, o oblívio eterno é o fim da existência após a morte, também chamado de inexistência ou o “nada”. Para mim, é racionalmente o destino que todos nós vamos encarar após nosso último suspiro. Isto é fascinante e ao mesmo tempo assustador. Nós nos apegamos tanto a existência e é a única coisa que podemos vivenciar (até porque vivenciar a inexistência seria um paradoxo) que o desconhecido de não existir pode parecer um destino terrível ou deprimente. Se eu acredito nisso, eu deveria me sujeitar a um niilismo depravado pois estou admitindo que minha vida no final não tem sentido por causa desse futuro obscuro? Ou ainda, eu realmente devo temer esse destino? Eu acredito que não e vou usar algumas fontes e pensamentos para isso.

A primeira é o pensamento do antigo filósofo grego Epicuro (341–270 a.C.). Ele teve um insight simples mais poderoso, que é o seguinte:

Não devemos temer a morte, pois justamente se o destino após morrer é o oblívio eterno, não saberemos que estamos mortos. Antes de nós nascermos também não existíamos. Foi uma experiência horrível? Não, pois sequer poderíamos ter uma experiência. O mesmo para o após a morte. E se a morte não chegou, por que se preocupar com ela?

Já chegando na época contemporânea, Thomas W. Clark critica justamente as visões equivocadas sobre o oblívio eterno, porque muitos pensam que vamos ter alguma experiência com a inexistência, quando na verdade nosso self não existe para experimentarmos o oblívio eterno, sendo justamente uma ausência de experiência.

Um vídeo muito bem feito e inteligente sobre o assunto é do Kurzgesagt – In a Nutshell chamado Optimistic Nihilism (o vídeo tem legenda em português caso necessite, basta ativar nas configurações):

Em resumo, essa produção do Kurzgesagt argumenta que somos uma existência insignificante na questão do espaço e principalmente no tempo, com nossas vidas não tendo um proposito final. Deveríamos então abandonar nosso próprio sentido de viver? A resposta é não pois, como Epicuro tinha falado há milhares de anos e o canal Kurzgesagt adapta em sua fala, “fechar os olhos e contar até um é o mesmo que passar a eternidade”. Além disso, todas as coisas ruins que experimentamos em vida vão desaparecer quando morrermos. E por qual razão não aproveitar as coisas boas até lá, como amar as pessoas e jogar seu video game favorito? “Temos tanta coisa para fazer”, conclui o vídeo.

Este é um post bem breve de um tema infinitamente complexo e polêmico, mas acho que para dar meus dois centavos sobre o assunto, resume a razão de eu não ter [tanto] medo da morte e os motivos para se viver a vida. O segredo é a aproveitar cada momento na medida do possível. Simples, mas direto.

Uma resposta para “Oblívio eterno”

  1. Obrigado pela oportunidade de me fazer dedicar alguns minutos a uma pergunta que está em todas as culturas e atravessa civilizações, o tema que você nos traz tem sido ocupação de muitos filósofos, estudiosos da religião, antropólogos, cientistas, poetas , artistas e a humanidade como um todo. Admiração pela sua coragem.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s