Deserto de pensamentos

Algumas vezes nossos pensamentos são como oceanos, abundantes em uma vastidão sem fim. Mergulhamos neles e demoramos para submergir devido as suas profundezas. Mas como tudo é impermanente e está sujeito a mudanças, esse oceano pode secar e dar lugar a um imenso deserto, simbolizando aqui a falta de criatividade e de estimulo intelectual. E dessa maneira nossa própria individualidade passa por um processo de secura, e nos vemos nesse ambiente inóspito e desértico. Quais seriam as causas desse fenômeno que chamo de “desertificação mental”?

Este processo muitas vezes é causado por nós mesmos quando deixamos de alimentar as fontes das “águas oceânicas da mente”. Deixar de ler um livro para ver o pior programa de televisão por exemplo, ou deixar de aprender em geral para ser apenas um consumidor passivo dos produtos dos outros e sem qualquer produção psíquica e até física, pois o corpo também alimenta a mente. Entramos em um marasmo produtivo que atrofia nosso cérebro. É necessário inundar o deserto de águas, que pode ser até a mais fina chuva ou o maior dos dilúvios. O importante é ter uma corrente contínua para não deixar o deserto tomar conta, e pelo menos aos poucos encher novamente os mares e mares.

Eu não tenho a chave do sucesso da criatividade, caso contrário estaria vendendo livros de autoajuda entre os mais vendidos e nadando em dinheiro (ou pior, seria coach). Eu também estou constantemente secando minhas águas intelectuais, passando sede no pior dos desestímulos desérticos. De qualquer forma não quero ter um blog sobre superação e disciplina, já que desse assunto estamos saturados com as infinitas promessas que nos vendem, e eu acredito que, da mesma forma que a medicina está caminhando para tratamentos individualizados ao invés de receitas de recomendação geral, cada pessoa tem o seu segredo para atingir a produtividade.

Este pequeno post é apenas um apelo para, você leitor, jamais deixar de secar seus oceanos de pensamento. E isto é um recado para mim também, que de maneira constante me rendo a procrastinação. Podemos até encontrar oásis psíquicos nesse imenso deserto, todavia estes não são capazes de saciar a sede da demanda intelectual que possuímos ao verdadeiramente buscarmos a produção intelectual dentro de nós. Somente um oceano em que mergulhamos nas profundezas, e não somente bebermos superficialmente aqui e acolá no lago de um oásis, é capaz de nos envolver em pensamentos saudáveis e produtivos.

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